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segunda-feira, setembro 10, 2012
o parto - para mais tarde recordar!
No sábado fomos a casa da minha tia Cremilde para festejar o seu aniversário. Precisamente no dia em que completava as 39 semanas de gravidez. No dia anterior tinha ido ao hospital para fazer o “toque”. A médica que me viu disse que não estaria para breve mas que ía dar uma “ajudinha”; saí de lá com uma dor terrível. No sábado estava radiante. 39 semanas de gravidez, tudo a correr bem, em casa tudo preparado para receber o Eduardo. Estava calma; expectante mas muito calma. Lembro-me de ter mostrado orgulhosamente a barriga a toda a gente. Pior... Abanava-a para que o Eduardo lá dentro reagisse! Mal sabia eu... Depois de sairmos lá de casa ainda fomos a 2 bares com a Filipa. E o Pedro a dizer que provavelmente seria a nossa última saída antes do nascimento do Eduardo. LOL!!! Chegados a casa, tomei banho e deitei-me. Seria talvez meia-noite e meia. Assim que me aconchego para dormir, splash!!!! As águas rebentaram! Não é uma sensação de todo má.... O líquido amniótico está muito quentinho, e estando em Fevereiro todo o quentinho é bem vindo! Quem já passou por isto sabe como é! Eu, não sei porquê, achava que aquilo sairia de uma vez e que não seria nada demais. É como no anúncio do Gato Fedorento: “um dilúvio... 3 gotinhas!” Só que eu pensava que seriam 3 gotinhas... mas não... É mesmo um dilúvio! Até sair de casa vesti 3 calças diferentes, pois de cada vez que achava que já tinha parado, caía mais uma chuvada! De maneira que nos metemos no carro e lá fomos nós! Eu muito contente! O Pedro muito nervoso! Pronto... Os dois muitos nervosos! Nesta altura eu já não estava aparentemente grávida, pois fiquei com a barriga reduzida a menos de metade. Dei entrada no hospital, e enquanto o Pedro estava cá fora a roer pela milésima vez as unhas enquanto conversava com a administrativa das urgências para passar o tempo, eu estava a ser preparada por uma freira que, de máquina de barbear em punho, me fazia um novo penteado down there! Ligaram-me aqueles trambolhos que medem as batidas cardíacas do bébé e as contracções. Com o bébé tudo bem! Contracções... cadê? Passei lá a noite à espera de entrar em trabalho de parto e nada! De manhã o Pedro veio espreitar-me pela porta do cavalo, tinha passado a noite no hospital apesar de toda a gente lhe ter dito que mais valia ir para casa dormir, acho que ele não conseguia pensar em mais nada. Eu também tinha passado a noite em claro a ouvir a grávida da cama ao lado a gemer de dor de 5 em 5 minutos. Se eu soubesse o que sei hoje, tinha aproveitado cada segundinho para xonar! É que desde aí que nunca mais soube o que é dormir uma noite de seguida! Por volta das 10 horas veio o médico de turno saber se eu já tinha entrado em trabalho de parto. Como ainda não tinha tido nem uma dorzinha sequer, juntaram ocitoxina ao soro, e passado pouco tempo já doía e muito!!! As contracções, para quem nunca passou por isto, são uma coisa assustadora. Cada relato que ouvimos é de horror, e um pior que outro. Eu não gostei, é verdade! Mas deve haver pior que aquilo! A dor não é contínua, interrompe periodicamente para “descansarmos”, acho que o importante é concentrarmo-nos no nosso bébé. Ele também está em sofrimento e precisa da nossa ajuda naquele momento. O que podemos fazer para lhe garantir algum bem-estar é respirar, inspirar e expirar fundo, garantir-lhe o oxigénio necessário. A única coisa que custa, e muito, é tentar falar durante aquele período. Perdemos a concentração na respiração e sentimos a dor com muito mais intensidade. Quando os médicos acharam que a coisa estaria para breve, isto por volta das 14h, levaram-me para o bloco de partos. Pouco depois chegou DEUS, isto é, o anestesista que administra a epidural! Inicialmente achei que não ía precisar, ía ser forte e aguentar a dor! Pois, pois... Quando ele me deu a anestesia já seriam 15h. Eu chorava baba e ranho pois tinha receio que ele não o fizesse correctamente, e já me estava a imaginar paralisada da cintura para baixo. A típica crise de pena de mim a juntar aos macaquinhos que tinha na cabeça! Ele foi um querido, explicou-me tudo com muita calma, disse que ía correr tudo bem e até me fez uma festa na cara. Dr. Nuno qualquer coisa! Muito giro! Sim, que eu estava em trabalho de parto mas os olhos estavam a 100%! Pouco tempo depois entra o Pedro no quarto, devidamente fardado de bata e máscara! Hilariante! Por volta das 16h troca de turno! Ou seja, saem todas as enfermeiras que me acompanharam até ali, entram não sei quantas caras novas. E é claro, todas espreitaram, todas puseram os dedos, quem vai para estas coisas com vergonha está tramada! Felizmente eram só senhoras! A dilatação estava a correr bem, e por esta altura a enfermeira-parteira diz que já consegue ver a cabeça do Eduardo! Desde a epidural que deixei de sentir as contracções, mas havia algo a pressionar o colo do útero, e isso sim, causava-me um tremendo desconforto. O Pedro falava comigo para me animar. A certa altura pedi-lhe para se calar! Ou bem que converso, ou bem que estou em trabalho de parto!!! Sim, até nesta ocasião mostrei o meu mau feitio! Chegou então a fase de fazer força. Eu, burra, levantava a cabeça, agarrava-me aos ferros da cama, e fazia força com o pescoço enquanto berrava! Dahhhh!!! Até que a enfermeira me disse que além de estar a fazer a força errada, o Eduardo não podia estar assim muito mais tempo! Então, assim que empurrei como devia, saiu o Eduardo de uma vez só, um minuto depois das 17 horas! Assim que o vi comecei a chorar de emoção, achei-o lindo, lindo, e só lhe pedia desculpa por ter demorado tanto a fazer força como devia. Puseram-no no meu colo por segundos e beijei-o! O Pedro também chorava, foi um momento mágico! Deixaram-no cortar o cordão, ele ficou muito emocionado. O bom do Eduardo é que não chorava, calminho desde o primeiro momento! Fizeram-lhe os testes necessários. Apgar 9, 10 passados 5 minutos. Limparam-no e vestiram-no ao meu lado e finalmente deitaram-no na minha cama. Lindo, lindo Eduardo!
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1 comentário:
Assim até dá vontade de ter mais 2 ou 3! Abençoado anestesista né? a mim é pena que o alivio só tenha demorado hora e meia, enfim!!! Um olho no burro e outro no cigano (mais conhecido por anestesista Nuno), lol.
Naquela altura as vergonhas têm que ficar para trás, realmente, parecemos sardas escaladas, ali à mercê de quem quiser!!!lol
beijocas
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